Seguindo com nossa série — veja posts anteriores sobre Anton Tchekhov e Edgar Allan Poe — movamos um pouco a “alavanca do futuro”: como H. G. Wells (1866-1946) entende o conto?
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O escritor inglês vivenciou as Eras Vitoriana (1837-1901) e Eduardiana (1901-1910) durante o período em que escreveu a maioria de seus contos.
Em 1911, o autor revela que, após sua prolífica carreira de contista, praticamente não se dedicava mais a essa arte, porém dá algumas dicas sobre como a vê:
“O conto é uma ficção que pode ser lida em menos de uma hora e, para que seja comovente e encantadora, não importa se é tão ‘trivial’ quanto uma gravura japonesa de insetos vistos de perto entre os caules de grama, ou tão espaçosa quanto a perspectiva da planície da Itália do Monte Mottarone.”
“um dos muitos prazeres da escrita de contos é alcançar o impossível.”
Referindo-se à extrema rigidez da crítica sobre o que se devia considerar um verdadeiro conto, Wells, como bom “futurólogo” diz:
“Mas, depois de morrer como criador, ainda se pode viver como crítico, e devo confessar que sou a favor do relaxamento e da variedade, tanto neste como em todos os campos da arte.”
“no longo prazo, é o novo e a variante que importa. Recuso-me totalmente a reconhecer qualquer tipo difícil e rápido para o conto.”*
Portanto, Wells propõe três linhas para pensar o conto:
(1) a brevidade do conto, semelhante ao que vimos em Poe, e indica um tempo relativo de leitura;
(2) a não limitação de temas, desde que seja “comovente e encantador”;
(3) a novidade, deve ser “uma invenção do impossível”.
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A ESTRELA — NO ABISMO — O BACILO ROUBADO — A MAÇÃ — A LOJA MÁGICA — A PORTA NO MURO — A REJEIÇÃO DE JANE — A HERANÇA PERDIDA — O FURTO NO PARQUE HAMMERPOND — O QUARTO VERMELHO
(*) Textos das citações, retirados da Introdução à coletânea ‘The Country of The Blind And Other Stories’ (Thomas Nelson & Sons, London, [1911]), tradução livre nossa.
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