‘The Spirit Level: Why Greater Equality Makes Societies Stronger’, de Richard Wilkinson e Kate Pickett
A desigualdade de renda (‘Income Inequality’) figura no eixo x deste gráfico, da menor (‘Low’) à maior (‘High’) diferença de renda entre pobres e ricos. No eixo y está a mobilidade social, da menor à maior possibilidade de mudança na hierarquia social. Observa-se que, à medida que a desigualdade aumenta, diminui a mobilidade social. A linha é a chamada linha de regressão, um cálculo estatístico do ajuste mais comum entre as duas medidas.
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| The Spirit Level, Wilkinson & Pickett, Penguin 2009., Attribution, via Wikimedia Commons. |
Gráficos como este, utilizando índices internacionais confiáveis, são apresentados ao longo do livro de Richard Wilkinson e Kate Pickett [1], sempre com a medida de desigualdade no eixo x e outro resultado no eixo y, que pode ser: violência, expectativa de vida, gravidez na adolescência, doença mental, dependência de álcool e drogas, mortalidade infantil, obesidade, performance escolar, homicídios, taxa de encarceramento, nível de confiança, felicidade etc.
Wilkinson e Pickett colocaram neste livro os resultados de mais de cinquenta anos de trabalho considerável: suas pesquisas e descobertas usaram métodos replicáveis, foram apoiadas por times de diversas universidades, revisadas por pares e publicadas em revistas científicas.
Sua conclusão é que a desigualdade social é o fator a considerar quando se trata de libertar as sociedades, como um todo, de seu comportamento disfuncional. O crescimento ou o desenvolvimento econômico exerce seu papel, mas apenas até um limite, a partir do qual não tem efeito significativo no resultado.
Os autores exemplificam com um gráfico de expectativa de vida. Inicialmente, o aumento do padrão de vida influi na expectativa vida, especialmente considerando os países pobres. Porém, atingindo um limite, o aumento da expectativa de vida desacelera. Entre os países ricos, há países muito mais ricos que outros, porém a expectativa de vida é semelhante.
Teria a expectativa de vida atingido seu limite biológico? Não, os autores citam que o aumento de expectativa de vida continua: é de dois a três anos a cada dez anos nos países ricos, porém ‘independe’ do aumento de renda, do aumento do padrão de vida, do aumento da riqueza.
Outro exemplo: é conclusão comum que o aumento da média salarial, ou o aumento do padrão de vida, e o desenvolvimento seriam a solução para problemas como violência ou performance escolar, entre outros. Entretanto, os estudos de Wilkinson e Pickett demonstram, novamente, que o aumento do padrão de vida tem um limite de influência e pouca participação nos resultados, se comparado com o aumento da desigualdade.
Dois grupos, ‘com a mesma média salarial’, em países diferentes, serão afetados de modo diferente. Se um desses grupos, em um país, estiver localizado na parte de baixo da hierarquia social, ele estará sujeito a problemas sociais maiores. Se o outro grupo, em outro país, estiver mais acima na hierarquia, ou se o seu país apresentar menor desigualdade, ele não estará sujeito àqueles problemas. Suas pesquisas demonstraram que a escala de diferenças de renda (e não propriamente a média salarial) tem um poderoso efeito sobre como os grupos sociais se relacionam.
Ao longo do livro, os autores detalham sua lista de questões sociais, discutindo o papel da desigualdade em cada uma delas, e avaliando como sua perspectiva contribuiria para políticas públicas efetivas e sustentáveis.
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Fonte da imagem:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Social_mobility_is_lower_in_more_unequal_countries.jpg
The Spirit Level, Wilkinson & Pickett, Penguin 2009., Attribution, via Wikimedia Commons
Attribution: The Spirit Level, Wilkinson & Pickett, Penguin 2009.

